A contabilidade como ferramenta de gestão

A contabilidade como ferramenta de gestão

Este é um grande dilema na vida do empreendedor, dos administradores de qualquer empresa brasileira, mas também dos contadores em atividade. Infelizmente a complexa teia de informações e declarações que as empresas são obrigadas a efetuar tomam tanto tempo do contador que, não raras as vezes, se é questionado sua utilidade. Mas vamos aqui arrematar isso de uma vez por todas!

São inúmeras as “Obrigações Acessórias”, como é chamada na área contábil, onde incessantemente são obrigados a transmitirem informações da movimentação das empresas, e por vezes, a mesma informação é transmitida redundantemente em formatos distintos. Mas este não é o objeto deste texto. O que se quer aqui é compreender o lado consultivo da Contabilidade. Então vamos lá!

A contabilidade como ferramenta de gestão

Como caso prático, vamos pegar as Demonstrações Financeiras da Petrobrás de 2018, disponíveis no site Investidor Petrobrás (investidorpetrobras.com.br ou clique aqui[1] para download direto).

As chamadas “Demonstrações Financeiras” refere-se à composição de relatórios que, em conjunto, dão a visão completa da realidade da empresa. É composta, em geral, por: Balanço Patrimonial, DRE (Demonstração de Resultado), DFC (Demonstração de Fluxos de Caixa), DMPL (Demonstração de Mutação de Patrimônio Líquido e as Notas Explicativas. Explanaremos agora cada relatório.

Balanço Patrimonial – O Balanço Patrimonial apresenta os dados consolidados, é a posição final das contas de Ativo (Bens e Direitos), Passivo (Fornecedores, Impostos e Obrigações) e a apuração do resultado (Receita menos Despesa) é consolidado nas Contas do Patrimônio Líquido (que é a participação dos sócios).

DRE – A Demonstração de resultado do Exercício é a simples e importante apuração, onde se apresenta as Receitas e se vai deduzindo Impostos, Custo de Mercadoria (ou Serviço) e as despesas administrativas, financeiras e impostos sobre lucro.

DFC – A Demonstração de Fluxos de Caixa quer apresentar com mais exatidão por onde está passando as variações do caixa ao longo do período, evidenciando o processo de entrada e saída a partir de cada origem.

DMPL – A Mutação de Patrimônio Líquido quer demonstrar as variações dentro do Patrimônio, que é dos sócios. Dentro do PL está contido o Investimento do Sócio, os Lucros e Prejuízos da operação da Empresa, que também é responsabilidade dos sócios. Por essa razão se faz importante a análise sobre essas contas.

Bem, apresentado as principais demonstrações, convido-os a abrir agora a Demonstração Financeira da Petrobrás 2018. Obviamente sabemos que os relatórios da Petrobrás serão mais complexos que a maioria das empresas, mas agora peço que ao analisarem imaginem que fossem sua empresa, analise como se dependesse de você a tomada de decisão para o futuro da empresa. Vale reforçar que o intuito não é fazer uma análise técnica, apenas apresentar algumas observações possíveis de serem feitas através destes relatórios.

ANÁLISE BALANÇO PATRIMONIAL

Note que o Ativo total aumentou 30 bilhões (a medida do relatório está me milhões), mas ao mesmo tempo, se perdeu caixa em 20 bilhões. Houve variação nas Contas de Depósitos Judiciais e Imobilizado, também no ativo.

Falando do Passivo, aumentou fornecedor, diminuiu financiamentos, mas aumentou a Provisão para Processos Judiciais e administrativos. Já no Patrimônio Líquido vemos um aumento nas Reservas de lucros.

ANÁLISE DRE

Já falando da DRE, podemos notar que houve um aumento de cerca de 25% de Receita, as despesas tributárias despencaram pela metade. Do resultado financeira, as receitas quase que quadruplicaram, mas as despesas financeiras se mantiveram. Ao final, foi pago quase que quatro vezes mais Imposto de Renda e Contribuição Social do que no ano anterior.

ANÁLISE DFC

Na DFC é possível notar que não houve alterações expressivas nas atividades operacionais, mas nas atividades de investimentos, percebemos que dobrou os Recebimentos pela venda de ativos (desinvestimentos). Nas atividades de Investimentos, temos valores mais expressivos com a variação nas Captações.

Ao final, é possível notarmos que houve uma diminuição de quase 20 bilhões. Mas ao mesmo tempo, é válido lembrar que o Lucro do exercício foi de 25,779 bilhões, ou seja, diminuiu capacidade de Caixa ao mesmo tempo em que se houve um Lucro no Exercício.

Explicar a DMPL é um pouco mais complicado, e o objetivo neste momento não é uma análise técnica aprofundada, apenas dar a dimensão das possíveis análises que podem ser feitas através da correta escrituração contábil.

Se bem utilizados, estes relatórios são capazes de dar subsídios para tomada de decisão, projeção, direcionamento e até mesmo para decidir-se em encerrar as atividades sem que haja maiores prejuízos.

Por essa razão, apesar de algumas empresas pequenas não acharem necessário a contabilidade, não podemos negar o quanto pode agregar de valor ao empresário, se assim o quiser e permitir. As ferramentas estão disponíveis, cabe a cada um optar por utilizá-las ou não.

Artigo redigido por nosso parceiro Gerson Figueiredo da U-Partners Contabilidade & Gestão

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